Descobrir Balinese Charater (Balinese character: a photographic analysis)

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1. Para um antropólogo, e interessante descobrir quais seriam, no campo específico de seu trabalho, as virtudes da escrita que a visualidade fotográfica não tem, também, as potencialidades singulares da fotografia, que esta não soube ainda alcançar ou desenvolver suficientemente.

1.1. Balinese character nos convoca, também, a descobrir como, ao lado de uma ideário conduzida por palavras, podem existir uma ideário e uma orquestra rio dirigidas, dessa vez, por imagens. Por ideação, entendemos que as imagens (e sua organização) exercem, por conta própria, um poder de ordenação epistemológica que atua sobre o espectador.

1.2. "A imagem é uma forma que pensa". Ela é uma "estrutura", um "fenomeno" (aparição) que pensa, na medida em que- como foi dito anteriormente- é, fundamentalmente, uma representação de representações. Ou seja, por que as imagens ficariam desprovidas de pensamento quando atribuímos pensamento as palavras e nossas escritas? Palavras, escritas, imagens são "formas" inteligentes, singulares e complementares, de que dispomos para representar as representações da "realidade".

1.3. Balinese character nos convoca, também, a descobrir como, ao lado de uma ideário conduzida por palavras, podem existir uma ideário e uma orquestra rio dirigidas, dessa vez, por imagens. Por ideação, entendemos que as imagens (e sua organização) exercem, por conta própria, um poder de ordenação epistemológica que atua sobre o espectador.

2. Etienne Samain

3. modelos de apresentação

3.1. Modelo sequencial

3.1.1. Exemplo de modelo sequencial, a magnífica Prancha 16 de Balinese character (p. 86), cujas fotografias foram realizadas em Tabanan, região oeste da ilha de Bali, em dezembro de 1936, e uma sequência composta por oito fotografias, que se deve ler de cima para baixo, da esquerda para a direita. Nesse modelo sequencial, nosso olhar desliza, de maneira quase cinematográfica, no tempo e no espaço das oito fotografias. Nosso olhar "dança", por assim dizer, de fotograma para fotograma, recolhendo no fio desse percurso ou dessa travessia urn conjunto de informações sígnicas que deveria nos levar a uma mensagem.

3.1.1.1. Sem o texto que acompanha a seqUência fotográfica, teria sido difícil chegar a considerações tão precisas. Por outro lado, sem as fotografias, teria sido mais difícil ainda poder minimamente imaginar o que significava "aprender" e "ensinar" em Bali.

3.2. Modelo estrutural

3.2.1. O que acontece, no entanto, é que, diante desse enigma visual, buscamos uma solução, uma saída, um sentido. Para tanto, tentamos, um pouco ao acaso da vertigem de nossos próprios olhos, mergulhar em cada uma das seis figuras, procurando descobrir, através de sua diversidade figurativa, o que elas poderiam ter em comum, ou, melhor dizendo, buscamos desvendar um estrutura ou urn elemento catalisador capaz de religar-las. um outro estado do olhar, um outro.

3.2.1.1. O que poderia vir a ser essa estrutura? Bateson coloca, lado a lado, urn homem olhando para um avião (Foto 1), o vulcão Goenoeng Agoeng, uma das montanhas sagradas de Bali, morada dos deuses (Foto 2), uma dançarina em transe, em pé sobre os ombros de urn homem (Foro 3), a pintura de uma outra dançarina sendo carregada (isto é, em posição elevada), fato que vem reforçar o uso dos guarda sóis (Foto 4), a postura de um servidor, esperando pela entrada de seu príncipe, num drama balinês (Foto 5), a representação de urn sonho de cremação em que o artista (de uma casta inferior aos membros da família do defunto brâmane) se identificou na parte de baixo da pintura (Foto 6).

4. Entre a escrita e a visualidade existem laços de cumplicidade necessários. Uma e outra, a sua maneira e com a sua singularidade (ora enunciativa, ora ilustrativa, ora despertadora), complementam-se. A escrita indica e define o que a imagem e incapaz de mostrar. A fotografia mostra o que a escrita não pode enunciar claramente.

5. Em ambos os casos, nosso olhar não somente teve de se movimentar, fisicamente, de maneira diferente como também foi submetido a uma operacionalização cognitiva muito singular.

6. Algumas considerações finais

6.1. 1) A originalidade da obra de Bateson e Mead se deve, primeiro, a novidade e a amplitude do objeto de estudo.

6.2. 2) Balinese character, no entanto, além de enveredar por novas aproximações das condutas humanas, representa a consagração de uma metodologia absolutamente inovadora no campo da antropologia, a saber, a da utilização, conjunta e sistemática, dos registros verbal e visual, para expressar, representar e dimensionar formas relacionais (e comunicacionais) presentes nas culturas humanas.

6.2.1. Bateson e Mead sabiam que a imagem não era o equivalente do texto, sabiam que a capacidade despertadora da imagem não podia igualar a função enunciativa da linguagem. Sabiam fundamentalmente, que ambas ofereciam algo singular e se complementam.

6.2.2. Bateson e Mead sabiam que a imagem não era o equivalente do texto, sabiam que a capacidade despertadora da imagem não podia igualar a função enunciativa da linguagem. Sabiam fundamentalmente, que ambas ofereciam algo singular e se complementam. Atribuíram credibilidade a imagens, proclamando através delas traduzir ideias e conceitos relacionados ao ethos. Imagens sem as quais teriam precisado não de um livro, e de uma coleção de livros para tentar evocar, em longas e cansativas descrições verbais, condutas e comportamentos culturalmente estereotipados e, antes de mais nada, de natureza visual.

6.2.3. Isso posto, não podemos minimizar o papel - ainda muito preponderante - da escrita na elaboração e na constituição de Balinese character. O texto (isto é, a fundamentação das "ideias", dos "conceitos", das "categorizações") aparece e permanece no primeiro plano. Precede 'sempre a imagem, nunca decorre dela. O texto conduz a imagem, a dirige. O texto induz a ver a imagem e, nela, a reencontrar o conceito antes formulado. A imagem e uma empregada inteligente e· necessária: ela "serve" a "traduzir", a "fazer entender", a "justificar" aquilo que as palavras não conseguem mostrar com tanta eficácia.

6.3. 3) Penso, finalmente, que Balinese character nos leva a um questionamento, hoje, num horizonte que, de longe, ultrapassa a questão (já velha) do uso da imagem no campo da antropologia. O livro se tornara -para quem ousar leva-lo a sério- um fabuloso laboratório de instrumentalização dos antropólogos para o que se poderia chamar de trabalho das imagens (no caso) fixas. Para ser minimamente provocativo, acrescentaria que as imagens não apenas trabalham: elas são ainda "formas que pensam"

7. modelo de apresentação

7.1. Ao falar de modelos de apresentação, refiro-me, também, ao número de fotografias inseridas numa mesma prancha (número que, no caso de Balinese character, varia de seis a treze), ao formato das fotografias (de tamanho maior, menor ou médio) e a eventual manipulação dos documentos apresentados (nesse caso, as fotografias são geralmente inteiras e não retocadas, mas, as vezes, foram recortadas para evidenciar melhor urn elemento típico do ethos; raramente, são resultado de encenação). Ao falar de modelos de apresentação, refiro-me, enfim e sobretudo, aos componentes fotográficos reunidos na prancha, isto é, a essa combinação de elementos sígnicos capazes de despertar, de sugerir ou de revelar este ou aquele traço do ethos balinês. E tempo de focalizar, com atenção, dois desses modelos: um que chamaria de modelo sequencial, outro que qualificaria de modelo estrutural

7.1.1. A primeira diz respeito aos modelos de apresentação das fotografias utilizados por Mead e Bateson. A segunda encara mais especificamente as relações entre o verbal e o visual no quadro da, dupla prancha.

7.2. Ao falar de modelos de apresentação, refiro-me, primeiro, a disposição das fotografias no espaço de uma mesma prancha, o que se poderia chamar, também, de circuito visual de leitura dessas fotografias: ora leitura horizontal e linear das fotografias, como quando se lê um texto; ora leitura vertical, de cima para baixo e da esquerda para a direita, como quando se procura decifrar o conteúdo de duas colunas de um texto; ora, ainda, leitura paralela e de justaposição. leitura diagonal e transversal quando, no espaço de uma mesma prancha, procura-se focalizar, através de fotografias realizadas em momentos e contextos diferentes, dados (posturas, por exemplo) capazes de despertar, de catalisar e de conduzir o leitor/observador a descoberta de uma dimensão, nova e possível, do ethos balinês.

8. Os riscos da imagem e texto

8.1. Caso da fotografia, que, por natureza dispersiva, mesmo quando oferece seus closes. A fotografia- diria- no conduz a qualquer lugar e, muitas vezes, a lugar nenhum. Ela é polissêmica por vocação. A escrita também, mas num grau infinitamente menor.

8.2. Posta isso, há de se convir que, no caso em pauta, o texto, além de nos induzir a uma leitura das nove fotografias (que logo veremos), convoca-as como as indispensáveis testemunhas da ideia que se quer concretizar. Ou seja, de repente, o texto perde urn pouco de sua arrogância, sente-se fragil é um tanto nu. Abusando da metáfora, diria que o texto, ao descobrir sua própria nudez, começa a render-se e a imaginar o que a fotografia lhe daria para ver para pensar.

8.2.1. Muitas vezes, olhei para essa prancha fotográfica, obedecendo aos termos de sua leitura: "Estimulação e frustração". De fato, nunca vi outra coisa senão o que o texto me obrigava a ver, o que exigia que visse. Olhava muito mal ou, melhor dizendo, nao sabia olhar.

8.3. A situação, portanto, não se inverteu por completo, na medida em que, se e a imagem que, agora, requeremos prioritariamente, o texto/comentario permanece muito presente. Este não abdicou ainda de suas prerrogativas múltiplas: a de guiar, fazer entender, conduzir e induzir.

9. Ethos

9.1. O ethos de que fala Bateson refere, dessa maneira, a modos diferenciados e estereotipados, a maneiras social e culturalmente definidas de se comportar. Representa um sistema codificado dos instintos e das emoções presentes nas condutas e nos comportamentos de pessoas que vivem numa determinada sociedade.

9.2. Um comportamento estandardizado, culturalmente estereotipado, que pode explicar, ainda, por que um brasileiro se da conta de que não é um argentino na maneira de se conduzir, emocional e afetivamente.

10. Trata-se, no entanto, de um outro trabalho seletivo e laboratorial, que, partindo de observações de campo e de anotações consignadas nos cadernos e/ou diários de campo, desemboca, de repente e sem se saber necessariamente os porquês, numa reconstrução interpretativa e num discurso antropológico elaborado, de preferência, longe dos nativos estudados, no conforto de um escritório, pensando, aliás, em outros pares (de antropólogos), capazes de discutir o assunto. A fotografia, na antropologia, tem pelo menos esta distinção ou franqueza ímpar: a de nos mostrar o que o fotógrafo viu ou quis ver num dado momenta. E se é verdade que o antropólogo/ fotógrafo pode, ele também, na construção de seu discurso imagético, eleger ou esconder algumas de suas fotografias, resta que as fotografias apresentadas nunca poderão revelar outra coisa a não ser o que elas, efetivamente, registraram.

11. Antropologia e sua relação com a fotografia até então

11.1. A antropologia tinha perdido, com efeito, mais de meio seculo (1850-1910) ao tentar mapear fotograficamente o mundo das "raças", dos "tipos" humanos, das "características" da "especie humana".

11.2. Com o nascimento da "antropologia cultural" a ordem do escrever ganhou maior proeminência em relação as imagens

12. Contexto de publicação do livro

12.1. O livro sai em Nova Iorque em dezembro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial

12.2. A pesquisa sobre o ethos balinês chega, desse modo, quase que despercebida e não merece muita atenção nem por parte dos antropólogos. Os comentários que foram feitos a época tratavam sobretudo da belezas das imagens, porém com questionamentos com relação ao uso da fotografia em face da palavra.

12.3. Na época da publicação de Balinese character, não se discutiam, é verdade, as questões epistemológicas e heurísticas que os diversos suportes comunicacionais (a fala, a escrita, a visualidade) podiam explorar conjuntamente

13. Uma "nova'' disciplina, a chamada "antropologia visual"

14. Organização da obra

14.1. O obra foi resutaldo de uma pesquisa de campo que se estendeu por quase três anos

14.1.1. Na região montanhosa da ilha vulcânica, principalmente numa aldeia de uns quinhentos habitantes, chamada Bajoeng Cede. (Bali, indonésia)

14.2. Material etnográfico recolhido em Bali

14.2.1. Mais de 25 mil clichês fotográficos Leica realizados e revelados por Gregory Bateson no local, outros sete quilômetros de película 16 mm e, conjuntamente, a montanha de cadernos de campo nos quais Margaret Mead.

14.2.2. 1.288 imagens pintadas por jovens artistas de Bali (835 delas provenientes da aldeia de Batoean, distante duas horas de carro de Bajoeng Cede e outras centenas de "títeres sagrados", pinturas que, em Bali, animam os famosos espetáculos de sombras e de luzes.

15. Trabalho seletivo na elaboração da obra

15.1. 1.Uma lista de categorias, que serviu, depois, para escolher as fotografias e organizá-las em pranchas temáticas.

15.2. 2.Criação de um fichário das fotografias que pareciam merecer considerações posteriores e possível inclusão no corpo do livro

15.3. 3. Bateson e Mead elegeram finalmente 759 imagens, que iriam compor as exatas cem pranchas de Balinese character, agrupadas em torno das dez temáticas principais do livro: "Pais e filhos", "irmãos e irmãs", "Estagios do desenvolvimento da criança'', "Ritos de passagem" etc.

16. A obra

16.1. Tal determinação conduz Margaret Mead a assinar, logo depois, outras 48 páginas de textos, que procuraram contextualizar, desta vez, a centena de pranchas fotográficas organizadas em torno das dez temáticas escolhidas. Revela o que sempre defendia Margaret Mead: prudência tanto quanta confiança diante do poder sígnico (e significativo) da fotografia no campo das ciências humanas. Em outras palavras, essas 48 páginas escritas respondem a um duplo imperativo: a defesa, de um lado, de uma prerrogativa fotográfica na sua capacidade de evocar algo que o texto não sabe e nunca conseguir expressar e, de outro, a necessidade de confessar que, na ausência de um comentário preciso, a "leitura" futura das pranchas fotográficas permanecera frágil ou, pelo menos, problemática.

16.2. Fechando essas sessenta primeiras páginas, outras seis (assinadas por Gregory Bateson) oferecem informações importantes no que diz respeito a tomada das fotografias, a sua seleção, bem como outras anotações técnicas, muito relevantes para quem quiser fazer antropologia visual. O livro termina com outras vinte páginas escritas ("Uma nota etnográfica sobre Bali", uma "Bibliografia" e um "Glossário"). Entre esses dois conjuntos de textos, duzentas páginas são reservadas ao foco da pesquisa: a ''Análise fotográfica" propriamente dita do ethos balinês. São cem pranchas, organizadas em torno de dez eixos temáticos, cada prancha ocupando uma página dupla (uma composta por fotografias e, frente a frente, uma outra, oferecendo urn comentario preciso e minucioso sobre elas).

16.3. Havia de se tratar notadamente os contornos e as vertentes de um livro que evocava, pela primeira vez na história da antropologia visual, numa constante interação entre registros verbais e registros visuais (concebidos como verdadeiras fontes de pesquisa e não apenas como meras e possíveis ilustração), os modos e os processos de socialização por meio dos quais uma criança nascida em Bali incorpora a cultura de seu povo e se tornava um autentico balinês